HTC Magic โ A magia negra da HTC II
Ecrã e interacção com o Android
Ao nível do ecrã a HTC deu-se ao trabalho de desenvolver um display resistente ao toque e, esperemos, a outras adversidades do dia-a-dia. Isto porque só poderá interagir com o Magic através dos seus dedos. Canetas para input que os dispositivos Windows Mobile já nos habituaram não entram, pois o Android foi concebido para aceitar o input dos seus dedos de uma forma quase perfeita.
Reparou que referi “quase perfeita”? Sim, porque um dos fortes do HTC Magic é também o seu calcanhar de Aquiles, o seu teclado virtual. Passo a explicar, a HTC desenvolveu para o Android um teclado virtual (o Smart Dialer) absolutamente soberbo. Ao tentar marcar o número de telefone, devido ao teclado ser bastante grande permite-lhe realizar esta tarefa tecla a tecla facilmente com o seu dedo polegar. Neste aspecto não sentirá falta de um teclado físico.
O calcanhar de Aquiles reside no outro teclado virtual de sistema em que, embora seja fácil de usar, as reduzidas dimensões das teclas, a meu ver, são susceptíveis a enganos e de uso quase impossível por parte do polegar (e eu nem tenho os dedos muito largos). Claro que com um pouco de treino e tendo-se ao dispor um teclado QWERTY, será um bónus bastante apetecido pelos utilizadores de chat, sms ou micro-blogging.
Descrição da versão incluída do Android
Embora a HTC tenha feito algumas pequenas alterações no Magic, a plataforma mantêm-se com um aspecto e funcionalidade praticamente igual ao Android padrão do projecto da Open Aliance Handset fundado pela Google.
Talvez por não possuir uma camada superior e pesada de software para a interface com o utilizador, se note uma invulgar rapidez e fluidez na invocação dos menus e aplicações nativas do Android. Aliás, não o poderia deixar de ser, devido ao facto de ser baseado numa solução de sucesso GNU/Linux + Java.
Os Google “fan boys” irão com toda a certeza vibrar de alegria, devido ao facto de terem ao seu dispor serviços como Gmail, Maps, Picasa, Talk e YouTube. Este serviços são presenças obrigatórias em qualquer sabor do Android (não tivesse este originalmente sido concebido pela Google) e esta versão personalizada pela HTC não é excepção.
Destes serviços destaco em especial a magnífica integração do Google Maps na plataforma Android, especialmente a sua integração com o serviço de geo-referenciação disponibilizado pelo sistema de navegação GPS.
Gostei particularmente da funcionalidade de geo-referenciação pessoal, que aliás é bastante útil e permite, para efeitos de segurança, que qualquer pessoa possa facultar os seus dados referenciais, de forma a ser facilmente localizada caso suceda algum imprevisto.
Um grande inconveniente que eu creio que apenas se irá manter durante os primeiros modelos de dispositivos Android, é a ausência de tradução dos menus e principais aplicações para o Português. O mesmo acontece na escrita de mensagens usando o teclado virtual, que actualmente não suporta o dicionário de Português para escrita inteligente de mensagens, dotando as mesmas com a capacidade de auto-complete.
Aliás, por omissão o auto-complete é usado para palavras em Inglês, o que irrita um pouco devido à tentativa constante do sistema auto-complete tentar substituir uma palavra correcta em Português por uma em Inglês. Claro que este mecanismo pode ser desactivado através das opções gerais disponíveis na tecla Menu e por isso, foi algo que fiz logo no início e que aconselho vivamente aos nossos leitores que comprarem este dispositivo, pelo menos enquanto não estiver disponível um dicionário em Português.
Deixo para o fim a cereja no topo do bolo: refiro-me ao Market. É um recurso precioso, para poder personalizar o seu Magic ou completar o leque de funcionalidades das aplicações existentes no Android.
Poderá encontrar um leque variado de jogos, puzzle, arcade ou jogos de acção, a escolha é grande, embora haja um caminho a percorrer ao nível da qualidade e quantidade dos títulos disponíveis. Um dos jogos que marcou logo presença no HTC Magic foi uma variante do clássico FPS, Doom (das várias existentes).
Ao nível das aplicações disponíveis, o leque é enorme, a selecção de aplicações vai desde a categoria de aplicações do ramo financeiro, até ao entretenimento passando pela obrigatória categoria de produtividade. Poderá encontrar em algumas destas secções widgets, toques polifónicos, leitores multimédia, clientes de IM, redes sociais ou Twitter, a lista arrasta-se por aí em diante.
O seguinte vídeo permite-lhe demonstrar algumas das características que referi anteriormente.
Vídeo de demonstração:
Considerações finais
Existe de facto uma certa magia por detrás do HTC Magic, ora vejamos:
- Construção de qualidade semelhante aos restantes modelos da HTC.
- É agradável e sóbrio à vista (embora estes sejam sempre critérios subjectivos)
- É rápido, fluído e de fácil na navegação e faz ainda uma magnifica gestão das aplicações em memória reduzindo a degradação de performance.
- É Software Livre dando a liberdade a todos os utilizadores que acham que não é só de Apple e Microsoft que é constituído o mercado.
- Integração perfeita com serviços Google.
- Extensibilidade elevada devido às várias aplicações e jogos gratuitos que estão disponíveis no Google Market.
Contém também aspectos menos positivos:
- Embora o hardware do HTC não seja um impedimento à boa navegação verificada, o HTC Magic poderia ter melhores características como por exemplo um melhor processador e/ou mais memória RAM à semelhança de alguns smartphones de outros fabricantes do mesmo segmento.
- As dimensões das teclas do teclado virtual são modestas exigindo algum hábito por parte do utilizador.
- Não existe tradução ou qualquer dicionário de dados em Português para suporte de escrita e correcção de mensagens pessoais bem como a ausência da língua de Camões na tradução generalizada do Android.
- A navegação poderia passar menos pelas teclas do hardware.
Depois de pesar os prós e contras vale a pena adquirir este dispositivo em relação aos outros dispositivos que não possuam o Android? Vale… A questão é… quando?
Sem dúvida, o utilizador padrão ficará muito bem servido com Android e com a sua integração com os serviços Google; neste ponto por exemplo o Android é imbatível em relação a outras plataformas. Mesmo ao nível tecnológico e de tarefas passíveis de serem realizadas, quando comparado com os seus rivais nas plataformas móveis, o Android não fica atrás. O hardware do HTC mostra-se também capaz de correr fluidamente esta plataforma open source. Deste ponto de vista vale bem a pena comprá-lo brevemente…
Caso o utilizador não consiga viver sem o seu sistema em português e tenha necessidade de um dicionário da mesma língua para a ajuda na troca de mensagens e mesmo assim queira um smartphone Android, o melhor será mesmo esperar até que sejam lançados os Language Packs e dicionários de Língua Portuguesa (mais dia menos dia isso irá acontecer) de forma a que possa adquirir na altura este ou outro smartphone Android devidamente “localizado”.
Independentemente da sua situação e de quando pretende adquirir um dispositivo Android, saiba já que a navegação moderna que se repercute no arrastar do dedo em qualquer aplicação para fazer scroll, ou a possibilidade de ter uma “área de trabalho” alargada na Home (paradigma idêntico ao da Home usado em Linux), trazem de uma forma inteligente alguns dos princípios dos ambientes gráficos presentes nos computadores pessoais aos dispositivos móveis, concebendo-lhes uma navegação moderna e em alguns aspectos inovadora.
Embora o HTC Magic não seja o smartphone mais caro do mercado quando comparado com outros dispositivos semelhantes sem Android, não estará certamente ao alcance da carteira de todos os portugueses.
Esperamos assim que outros modelos como o Samsung Galaxy e HTC Hero venham vulgarizar, e por consequência baixar o preço, de dispositivos móveis com Android no nosso país e corrigir pequenas arestas que este ainda tenha por limar. Até lá não deixamos de saudar a grande aposta da TMN em trazer o primeiro telefone Android a Portugal.



